sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Quero ver na Copa...

Um sinal e as luzes que indicam o cinto de segurança se acendem. John acorda e ao ouvir a voz do piloto vai logo abrindo a janela para ver que a cidade maravilhosa que ele tanto aguarda está cada vez mais próxima. O avião toca o solo carioca causando uma euforia entre os passageiros, que assobiam e batem palmas para o que estava por vir.

Ao deixar a aeronave, John segue para o local onde aguardará a sua bagagem do voo Nova York - Rio, ansioso para deixar o aeroporto e ver a tão falada Copacabana. A mala chega 30 minutos depois e com certos danos. John logo percebe que o cadeado se rompeu e que alguns de seus pertences não estão mais lá. O turista fica chateado, mas como não quer estragar a sua viagem, segue o planejado sem prestar queixas.

Foto: Reprodução Internet
No desembarque, John fica surpreso ao ver que taxistas disputam a sua atenção e, muito educados, se oferecem para carregar a mala corrompida. Ele escolhe, então, um motorista e segue mais uma viagem que o levará do Galeão até a princesinha do mar. O americano vislumbra a paisagem local no caminho e começa achar um pouco estranho as coincidências, após uma hora dentro do veículo.

Duas horas depois, John chega ao hotel e é muito bem recebido pelos recepcionistas, o que, de certa forma, o faz esquecer do dinheiro gasto no trajeto do Galeão à Copacabana. Deixou suas coisas no quarto e seguiu rápido para a praia.

Céu azul, areia quente, mar gelado. Ele estava no Rio e cada vez mais apaixonado pelo calor e gentileza das pessoas com quem conversava. Sentado em um quiosque, conheceu um grupo de belas morenas, que achavam graça no seu sotaque e o chamavam de "gringo" o tempo todo. Após algumas cervejas e boa conversa, elas o chamaram para uma festa pré-carnaval, no final do dia,  no centro da bohemia carioca, a Lapa.

Meio perdido com mapas e sem saber chegar ao local, John pediu ajuda no hotel. Os recepcionistas o indicaram uma estação do Metrô porque, apesar do ônibus deixar próximo ao lugar marcado com as moças, o trânsito não ia deixá-lo no horário combinado.

Depois de muito aperto e certo calor nos vagões, o "gringo" chegou à Lapa e avistou, sem muita demora, Maria, a morena de boca carnuda, que mais lhe chamou a atenção no grupo de cariocas. Enquanto Maria seguia com as outras à frente, John olhava os casarões e os Arcos e só percebeu que não estava mais com o seu cordão de ouro, doado pela avó quando era criança, ao chegar em um bar na Rua do Lavradio.

A perda do colar o deixou triste, mas os olhos grandes e belos de Maria logo fizeram as perdas do primeiro dia de viagem menores e um pouco sem importância.

A chegada no Rio foi, de certa forma, negativa para John, mas nada disso tinha importância, pois, afinal, ele estava na Cidade Maravilhosa. No entanto, ao final da jornada de uma semana, a ansiedade estava em voltar para casa, sem bater palmas para o que deixava para trás.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A nova novela das oito

Corinthians campeão do Campeonato Brasileiro, morte do jogador Sócrates, demissão do ministro do Trabalho Carlos Lupi, viúva da Mega-Sena inocentada... Não. Estes não foram os assuntos mais comentados dos últimos dias, não tanto quanto a troca da bancada do Jornal Nacional.

Dos boatos, rumores à coletiva de imprensa. Em seguida, algumas matérias de mais de 10 minutos no próprio telejornal e com o público colado na telinha. Uma grande repercussão para um caso que... vai mudar nossa vida? Mais importante do que a votação do novo Código Florestal? O que fizeram com essa espetáculo todo?!

Acho importante a escolha de alguém para comandar o telejornal mais importante da televisão brasileira. No entanto, o que vimos nos últimos dias não foi isso. Vimos a escolha de uma substituta para Fátima Bernardes e, consequentemente, a futilidade tomando conta de algo que deveria resistir à era das celebridades.

Nada contra a Fátima, gosto do seu trabalho e do seu carisma, mas acho que se quer sair, pegue a sua camisa social e vá fazer o tão sonhado programa matinal. O que vimos foi uma telenovela de alguns dias em que a mocinha é trocada pela garota do tempo, mas com um final feliz... por enquanto, pelo menos. Não tenho muitas expectativas para o novo projeto da mulher do William Bonner. Tem que ter bala na agulha para trocar o horário nobre para o horário matinal. 

Fátima Bernardes, Patrícia Poeta, William Bonner (imagina quando ele deixar o 'JN'?)... Em que eu penso mesmo nesse momento é no Cid Moreira, que saiu da bancada com as câmeras desligadas e não teve nem uma despedida.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Quanto tempo vale o tempo?

Tempo é dinheiro. Quantas vezes você já se pegou dizendo esta frase, hein? Eu já falei isso algumas vezes durante os 30 anos que habito este mundo corrido e hoje, em plena folga, me peguei pensando nele mais uma vez quando via o filme "O Preço do Amanhã" (In Time).

O longa do mesmo diretor de "O Show de Truman" traz uma (ir)realidade onde o relógio compra o tempo que nos resta. Até aí tudo parece normal, pois o tic-tac infelizmente nos comanda, mas nesta realidade tempo é literalmente dinheiro. O custo de uma passagem de ônibus, de uma roupa ou de um sorvete é em minutos, horas, meses ou anos.



Não vou falar aqui sobre a história de "O Preço do Amanhã" e muito menos sobre a atuação daquele que não sabe se é músico ou cantor Justin Timberlake. Apesar de não gostar dele (em nenhuma das suas profissões) e muito menos desses personagens que conseguem matar 18735 caras armados apenas com a força dos seus músculos, algumas metáforas do filme me atraíram: batalha, honestidade e ganância.

Nós estamos sempre na correria, na busca por mais um minuto para resolver este ou aquele problema e, às vezes, parece mesmo que as horas nos controlam. No filme, os mais ricos têm minutos para viver mais de 100 anos sem envelhecerem, enquanto os mais pobres correm contra o tempo para conseguir mais um dia de vida. Mundos semelhantes, não?

O que nós fazemos senão batalhar dia após dias para conseguir tempo livre? Aquele salário suado no fim do mês vai embora com o tempo que temos que pagar e com o tempo que gastamos para aproveitar uma liberdade mesmo que curta. Aquelas pessoas que enfrentam longas filas nas lotéricas buscam a conquista da repetida liberdade no tempo e no espaço para viver eternamente jovem, mesmo que venham as rugas ao longo dos anos. Todos, ricos e pobres, novos e velhos, lutam contra e pelo tempo.

"O Preço do Amanhã" traz outras questões que não me atraem muito. Um misto de Che Guevara e "Assassinos por Natureza" ( Sim, estou sendo exagerada). No entanto, jogar nas telas a expressão popular "time is money" foi uma bela sacada.

Não sei em qual fuso horário eu estaria caso vivesse neste capitalismo cronológico. Poderiam ser anos, alguns dias ou menos de 24 horas. Mas que eu iria correr atrás de uma promoção, isso eu iria.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O bom de assistir a um show

Não fui e não vou ao Rock in Rio 2011. Não se trata de nenhum boicote ao evento, até fiquei interessada em algumas atrações; porém, não tive vontade nenhuma de enfrentar longas filas e algum perrengue parecido com o que passei há 10 anos, quando fui assistir os californianos do Red Hot Chili Peppers. No entanto, vendo as pessoas com seus ingressos e eufóricas para ver de perto seus ídolos, me veio à cabeça o sentimento de como é bom ver um show de um músico ou grupo que você tanto admira.

Foto: Rodrigo Peixoto


Acho que esta sensação se junta a algumas outras coisas boas da vida, como um mergulho no mar ou aquele abraço apertado de quem ama. Estar frente à frente a um ídolo, mesmo que com algums metros de distância, traz uma renovação, uma faxina na alma.

Já fui em bons shows durate a vida. Alguns mal conhecia a história, outros era fã confessa. No entanto, em todos eles, sem distinção, saí fascinada. Como esquecer do meu primeiro show do U2 que me deixou eletrizada e com alguns calos no pé (mais pelo problema enfrentado para sair daquele fim de mundo, devo dizer). The Police, U2 (várias vezes), Bon Jovi, Madonna, além dos inúmeros do Rock in Rio 2001... sem contar, é claro, do meu maior ídolo Paul McCartney.

Na apresentação do garoto de Liverpool, a euforia começou antes mesmo dele entrar no palco, meses antes. Primeiro, com a confirmação. Em seguida, com a finalização da compra. E, por final, o mestre subindo ao palco. Aliás, as sensações se repetiram no segundo show, no Rio. Ouvir o seu maior ídolo tocar aquela canção que você quase "fura" o disco (expressão de vó) ao escutar centenas de vezes não tem preço. Não há palavras para explicar, é algo que apenas pode ser sentido. E se você já sentiu sabe o que estou dizendo.

A próxima apresentação que irei será do Pearl Jam, em novembro. Gosto do som, mas não sou tão fã do grupo. Sei que a diversão é certa e, por isso, vou curtir como tal e sair eletrizada, querendo mais. O ingresso já foi comprado, a ansiedade reservada, o corpo esperando pela renovação e alma garantida pela nova faxina. Que venha, Eddie Vedder!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Quem ri por último, ri de si mesmo

Em tempos de combate ao bullying, homofobia e qualquer discriminação contra o ser humano, tem algumas pessoas tirando vantagens da catástrofe profissional para reaparecer na mídia. Esta semana vi o comercial em que o grande Ricardo Macchi, mostra toda a sua (in)capacidade como ator ao lado do pequeno Dustin Hoffman. O mote do comercial da Fiat era mostrar que a altura não é proporcional ao talento, tanto de um ator como de um carro. "Quem vai levar a melhor: o ator grande ou o grande ator?"



Macchi mostra todo o seu drama e seu pífio inglês. Ao mesmo tempo, ele demonstra que está muito melhor se comparado ao "Eu te amo" dito tantas vezes para Dara, quando foi eternizado como o cigano Igor da novela "Explode Coração". Pela sua perseverança na propaganda, ele faz até valer a pena os R$ 400 mil cobrados, segundo o portal R7, para ser ridicularizado na televisão e web.

Mas o "rir de si mesmo" não para por aí. Já faz alguns meses que vemos nas telinhas peças desaparecidas da mídia. Antes do Cigano Igor, quem fez muito sucesso foi o cantor Biafra e seu "Sonho de Ícaro", através de um comercial do Bradesco Seguros em que um assaltante desiste de levar o carro que tinha como alarme o cantor e seu vocal "Voar voar subir subir...".



Não tenho ideia de quanto foi o cachê do Biafra, mas tenho certeza que a sua intenção ao fazer o comercial foi mais do que financeira. Claro que o dinheiro é sempre a luz no fim do túnel, mas o que ele queria mesmo é voltar às capas de jornais, revistas e à televisão. Resta saber se a sua fama vai durar mais do que 15 minutos.

Os exemplos não param no Ricardo Macchi e no Biafra. Quem não se lembra do "Adocica" de Beto Barbosa no comercial da Skol, sucesso nas ruas do Rio durante o carnaval? Passados quase seis meses da festa popular, me pergunto: onde estará Beto Barbosa?

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A árvore da vida não cresceu

Aproveitei a união de férias e cinema mais barato na quarta-feira para assistir a um filme, esperando que o mesmo fosse bom. Estava cansada dos famosos blockbusters e, apesar de adorar desenho animado, estava com vontade zero de assistir "Os Smurfs". Da lista de filmes que passavam no São Luiz (pertinho de casa), não havia visto apenas o premiado "A Árvore da Vida". Fui em frente.

Vi o filme há mais de 12 horas e não tenho uma opinião formada. Confesso que em muitas partes tive que me movimentar bastante para não entrar na onda do rapaz ao meu lado, que apresentou uma verdadeira sinfonia com seu ronco. Sem contar com aqueles que se levantaram e deixaram a sala no meio do filme.

Resisti e assisti "A Árvore da Vida" até o fim. Na saída, as mulheres que aguardavam na fila do banheiro se perguntavam o que haviam visto. Ouvindo, percebia que cada uma tinha uma interpretação muito diferente da que eu tive, me deixando mais confusa ainda.

Cheguei em casa e fui direto ao Google, na ânsia de encontrar alguma resposta para aquele embrulho que não se abria na minha mente. Uma mistura de "2001 - Uma Odisséia no Espaço" com aqueles filmes "cults", que, desculpem-me a sinceridade, não tenho a mínima paciência. Li a crítica do Janot no Globo, um artigo no IG e uma matéria em um jornal português. Ao final, percebi que a minha interpretação estava próxima dos textos e bem longe da senhorinha que aguardava no banheiro.

No entanto, de todas as resenhas, a opinião que mais considero foi a do ator Sean Penn. O primeiro protagonista que menos aparece em filmes revelou a um jornal que não gostou da forma como o diretor Terrence Malick colocou as cenas no ar. Assim como o ator, concordo que o roteiro do filme é espetacular, mas Malick conseguiu embaralhar o enredo como um jogo de cartas, deixando o rei e a dama bem distantes um do outro.

Eu bato palmas para a arte gráfica, para a música, para a interpretação de Brad Pitt como o pai repressor e o jovem Hunter McCracken, como o filho reprimido. No entanto, este negócio de embaralhar, na minha opinião, fica só no jogo de cartas.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Dia do amigo: Mais um sucesso virtual perto de você

Tenho certeza que você, que está lendo este post, recebeu ontem algum e-mail, mensagem, tuíte, ou todas as opções anteriores, com a frase "Feliz Dia do Amigo!". Eu recebi vários - alguns deles de verdadeiros amigos, outros de desconhecidos - com textos bonitos e sorrisos eletrônicos. No entanto, me questiono em uma coisa: desde quando existe o tal Dia do Amigo?

Passei o dia ontem apagando e-mails e me perguntando de onde veio e quando surgiu esta exclusividade à categoria. Seria ciúmes das mães e dos pais? Ou seria mais uma campanha do marketing para você coçar o bolso e presentear aquela pessoa que não tem seu sangue, mas é tão especial quanto aquele que tem?

O tal Dia do Amigo pode ter surgido há mais tempo, mas foi popularizado após a criação da Internet. Já tem alguns anos que eu recebo as mensagens características e não só no dia 20 de julho, mas pelo menos de dois em dois meses com o mesmo texto. E fico até meio confusa quando alguém vem falando "hoje é dia do amigo". Ué, mas não foi mês passado? 

Meus amigos, dia do amigo é todo dia. É naquele chope que você combina com o grupo da faculdade, é aquela foto que você encontra guardada na sua gaveta de um momento tão especial vivido ao lado de pessoas queridas, é aquele telefonema que você recebe (até mesmo por engano), que seria para durar um minuto, mas voam 10.... é o compartilhamento de emoções e histórias. É todo dia!

Será que a Internet nos separou mais dos amigos que nos faz procurá-los com mais frequência ou será que ficamos mais carentes no mundo virtual? Não sei Não recebíamos muitas cartas e abraços no dia 20 de julho quando estávamos na escola, recebíamos? Deixo aqui o meu "Feliz dia do amigo" a todos os meus queridos e amados amigos por ontem, dia 20, por hoje, dia 21, por amanhã, dia 22, por sábado, dia 23, por domingo, dia 24...